Imagem: Mariana Garcia/G1
Imagem: Mariana Garcia/G1

Uma pesquisa brasileira revela que quase 10% da população usa cinco ou mais medicamentos por dia. Entretanto, se automedicar é muito perigoso. Os farmacêuticos Tarcísio Palhano e Amouni Mourad fazem um alerta: todos os dias uma pessoa morre por uso inadequado de remédio.

A OMS pretende reduzir pela metade os erros relacionados à medicação até 2022. Segundo a organização, esses erros são responsáveis por pelo menos uma morte por dia em todo o mundo. Falhas humanas e de processos estão por trás destes eventos, que podem gerar danos de diversas gravidades em uma pessoa.
- Confundir remédio (que pode aliviar, auxiliar, mas não tem ação comprovada por estudos) e medicamento (que é aquele que comprovou ação por diversos estudos e por isso tem registro na Anvisa). Algumas pessoas usam remédios caseiros como se fossem medicamentos e podem adiar o tratamento efetivo. Todo medicamento é remédio, mas nem todo remédio é medicamento.
- Achar que um alimento é um medicamento. Um alimento não pode ser considerado responsável pela cura de doenças.
- Usar medicamentos indicados por outras pessoas (amigos, vizinhos, parentes). Doenças diferentes podem ter sintomas parecidos ou até iguais, mas usar medicamento sem recomendação de um profissional de saúde pode ser prejudicial para a saúde.
- Comprar medicamentos em camelôs ou com a embalagem violada ou vencida. Tanto a caixa do medicamento quanto a sua embalagem interna devem estar lacradas.
- Não conferir o medicamento comprado.
- Achar que o remédio vendido sem receita não traz riscos e não exige orientação. Um exemplo são os remédios para dor de cabeça.
- Não corte o remédio ao meio ou abraça a cápsula.

Remédios do ‘dia a dia’
Pesquisadores de faculdades de farmácia de cinco estados ouviram mais de oito mil usuários do SUS, em 272 cidades de norte a sul do Brasil. Quase 10% das pessoas usavam cinco ou mais medicamentos.

“Se imaginarmos pessoas que têm mais de três doenças crônicas, o uso de cinco medicamentos ou mais é muito comum. O problema acontece quando as pessoas estão usando os medicamentos de forma inadequada ou desnecessária”, explica a doutora em farmácia da UFMG Juliana Álvares.

De acordo com a pesquisa feita pelos farmacêuticos, as doenças que mais levam os pacientes a comprar tantos medicamentos são: colesterol alto, hipertensão, reumatismo, depressão e diabetes. A preocupação dos profissionais é que tantos remédios comprados para fazer o bem acabem fazendo mal, como por exemplo um cortar o efeito um do outro, ou até dobrar o efeito dos medicamentos.

“Os médicos precisam ficar atentos para os medicamentos prescritos por outros médicos, para que ele possa fazer esse gerenciamento da terapia medicamentosa e prestar o cuidado devido a esses pacientes”, alerta Juliana.

Tendo cuidado não tem problema. Sempre que for a uma consulta, leve uma lista com todos os medicamentos que você usa e inclua chás, remédios naturais e caminhadas. Conte se é alérgico, se bebe ou fuma, se tem dificuldade para engolir cápsula.

Fonte: Bem-estar, Tv Globo