Imagem retirada de https://outraspalavras.net/outrasaude/confirmado-brasil-vai-perder-titulo-de-pais-livre-de-sarampo/
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A má notícia não é surpresa, pois essa possibilidade estava posta há meses. Mais um caso da doença foi confirmado no último dia 23, e assim completamos mais de um ano de transmissão sustentada do sarampo. Com isso, o Brasil vai perder seu certificado de país livre do sarampo, que tinha sido concedido em 2016. O governo brasileiro informou que vai colocar em prática um plano para erradicar, de novo, a doença, com ampliação dos horários nos postos de saúde e a exigência de carteira de vacinação para matrícula em escolas. Hoje isso já é exigido, mas de forma “burocrática”, segundo o Estadão. O ministro da Saúde, Mandetta, quer mandar um projeto para o Congresso. Sua proposta é que o atraso no calendário vacinal não impeça a matrícula, mas traga implicações para os responsáveis, como o encaminhamento para o conselho tutelar. O problema, como mostra a matéria, é que nem sempre a culpa é dos pais. Há vacinas oferecidas em frascos com várias doses e, em alguns postos, não se pode abrir um frasco no fim do expediente, para não perder o que não é usado. Alguns municípios recomendam que a criança volte no dia seguinte… Mas às vezes os pais não têm condições de voltar.

SEM NOÇÃO
Embora aqui seja residual, na Europa e nos EUA o movimento antivacina é chave para entender os surtos de doenças como  sarampo. E Nos EUA eles estão pegando pesado. Quando uma criança morre por doenças preveníveis pela imunização e a família torna isso público, ‘ativistas’ se juntam para ir nas redes sociais das mães e postar mensagens do tipo “você está mentindo”, “seu filho foi vacinado sim e por isso morreu”, “seu filho nem existia” e “você que matou seu filho e inventou essa história”, além de xingar palavrões. Pesadíssimo.

Enquanto isso, um político antivacinas da extrema direita italiana – que chegou a classificar como ‘stalinista’ um programa de vacinas obrigatórias – está internado. Com catapora.

QUEDA LIVRE
O Inesc lançou ontem um estudo bem importante pra se entender como a “austeridade” está minando a assistência farmacêutica – mas nem de longe a indústria ou o consumo de remédios. Depois de grande alta em 2016, no ano seguinte o orçamento federal para programas de acesso a medicamentos caiu 14,4%, muito mais do que a queda geral do orçamento da Saúde, que foi 3% (isso logo após a emenda do Teto dos Gastos). Mas as vendas das farmacêuticas continuaram de vento em popa e, também em 2017, cresceram 13%. Aliás, em 2021 o Brasil deve se tornar o quinto mercado mundial de medicamentos. Quando o Outra Saúde conversou com a pesquisadora Evangelina Martich sobre os genéricos, ela observou que a demanda por medicamentos justamente é inelástica, ou seja, as pessoas consomem porque precisam, mesmo que precisem cair na pobreza para continuar comprando.

Apesar de cortar na assistência, o governo segue com crescentes subsídios ao setor. Que em tese deveriam se converter em preços mais baixos para o consumidor, mas isso não aconteceu. O resumo da ópera é o seguinte: Em 2017 o orçamento para a área caiu R$ 2,8 bilhões e foi para R$ 16,4 bi; o setor farmacêutico teve lucro de R$ 11,3 bi, e os gastos tributários anuais do governo com essa indústria são de R$ 9,5 bi.

Fonte: Outra Saúde